"Maldito vinho verde que sempre me pôs num estado de loucura e desinibição total,sim,a noite passada foi muitíssimo agressiva". Este era o pensamento que invadia a cabeça da Mél enquanto tentava procurar o seu sutiã,ali estava ele ao fundo da cama,enrodilhado nos pés do rapaz com quem ela tinha passado a noite,afinal não era o sutiã,mas sim as suas cuecas da Hello-Kitty. Vestiu-as o mais rápido possivel,na cadeira estava o resto das suas roupas,e o tão procurado sutiã,levantou-se dum trago, "Nunca mais bebo",pensou, quando ao levantar-se a dor de cabeça lhe bateu forte,vestiu-se e saíu daquela casa o mais silenciosamente possível.
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"Mas onde raio é que eu estou?Que horas são?Eu nem sequer conheço esta zona da cidade!O que é que aconteceu á capa do meu telemóvel?Donde veio tanto dinheiro?" Estas perguntas surgiram espontaneamente mal ela entrou no elevador,e a pouco e pouco foi obtendo resposta para elas.
-"Oh meu deus,estou nos arredores da cidade,sozinha,ás seis e meia da manhã,tudo escuro e sem táxis"-Disse a Mél para si própria,e de facto era verdade,uma placa dizia que faltavam 3 km para a cidade,a capa do telemóvel devia ter perdido na noite,mas o mais estranho era ter-lhe sobrado tanto dinheiro,e não conseguia parar de se perguntar de onde é que ele havia vindo.
Avistou um táxi no meio da terrinha,mas não conseguia correr,ainda estava muito alcoolizada,e tinha imenso frio, era de madrugada ,e no inverno a coisa piora um pouco,vestida de top e de saia, cada brisa que passava parecia que a dilacerava. Quando estava prestes a chegar ao táxi,ainda a pensar donde viria tanto dinheiro,lembrou-se que isso não era o mais importante,o mais importante era saber quem era o homem com quem ela tinha passado a noite,e esse foi o pensamento que a perturbou ao longo dos 3 km de táxi.
"Tenha uma boa noite menina,e agasalhe-se,este tempo não está para brincadeiras"-Disse amavelmente o taxista,mas a Mél pareceram-lhe simples sons sem sentido,como se ele tivesse aberto a boca e só saíssem ruídos indescodificáveis,sim,porque tudo a seu redor lhe parecia uma grande mancha de luzes e barulhos,e na sua cabeça o cenário era bem mais assustador,e a pergunta impunha-se de novo "quem é o rapaz com quem dormi hoje á noite?".
As mãos não conseguiam abrir a porta de casa,os olhos estavam a fechar-se, não conseguia subir mais escadas,o vinho estava prestes a sair por onde entrou,era agora.
-PUM!
-AUTCH!
-"A tua sorte foi os teus pais terem ido para fora de fim-de-semana,atrasada,e não te verem neste belo estado,a dormir á porta de casa completamente bêbeda,ás dez da manhã de sábado."
-"Era preciso dares-me um estalo,Sara?"
-"Não,mas apeteceu-me, odeio bêbedos, Mélanie!"- Frisou muito bem a palavra "odeio"
-"És mesmo querida prima,agora ajuda-me tive a pior noite da minha vida"
-"A pior?Essa mancha branca no teu sutiã diz o contrário"- Riu-se a Sara,que do alto da sua inocência pensava que a sua prima tinha passado a noite com o namorado,o Raul,mas ao ver a cara da prima depressa se apercebeu de que ela estava a falar a verdade.
A Sara e a Mélanie,primas da mesma idade,uma muitíssimo pacata a outra rebelde por natureza e sempre que a Mélanie fazia alguma coisa de errado,em criança,como queimar os cortinados,mandar os peixes para o autoclismo,pintar as paredes com o batôn da mãe,virava-se para a Sara com uma cara característica de pânico que dizia claramente "Não contes nada aos meus pais e ajuda-me" e hoje a expressão era a mesma,mas o alvo de segredo não eram os pais,mas sim uma maior gama de pessoas.
E a Sara depressa de apercebeu que o que quer que fosse que a prima tinha feito,era muito mais grave do que pintar paredes,matar peixes e estragar mobilias,desta vez a Mélanie tinha feito algo muito mais preocupante,e já não era nenhuma criança,o que significa que estando mais velha ela pode causar mais danos e estragos,agora sim ela sentia que a Mélanie precisava mesmo de ajuda.
(continua...)
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