quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Faculdade

De facto a minha entrada para a faculdade não havia correspondido às expectativas que tinha previamente criado. Para começar não tinha entrado no Porto,como tão ardentemente desejava,continuava enfiado na maldita cidade de Coimbra que já conhecia de lés a lés e que nada de novo me traria,talvez visse na cidade do Porto uma fuga para todos os meus problemas de Coimbra.
Estas duas cidades eram completamente dicotómicas para mim,sempre que estava no Porto sentia-me livre,sentia-me mais feliz e sentia como se algo me maravilhoso me preenchesse,talvez fosse a própria cidade,talvez fossem as pessoas,talvez fossem as aventuras que lá vivi,era como se fosse um SONHO. Coimbra, por outro, lado simbolizava a dura realidade,onde todos me conhecem,comentam e esperam que eu aja duma dada forma,não era um sonho era A VIDA REAL e não havia nada de novo ou encantador nela.

Lembro-me perfeitamente,as candidaturas para a faculdade iriam fechar à meia-noite do dia 7 de Agosto de 2009 e após uma conversa com a minha melhor amiga percebi que não podia deixar Coimbra para trás,não podia deixar a minha família eles também não queriam que eu me fosse embora,mais uma vez estava a agir em função do que os outros queriam e não do que eu queria para mim mesmo. No entanto Coimbra mostrou ser uma agradável surpresa,parecia que tinha entrada numa cidade completamente diferente e não a Coimbra que conhecia há 18 anos,pois para principiar tinha aulas na Alta da cidade que era um sítio novo e absolutamente mágico e parecia que afinal a mítica Coimbra dos Estudantes era mesmo um sitio agradável,e as pessoas eram todas imensamente distintas todas vindas de diferentes pontos do país,todas tão únicas e singulares,o oposto dos adolescentes da Solum que eram todos iguais sem excepção.
Até parecia fenomenal mas depois de uma boa surpresa seguiram-se uma série de infortúnios que deitaram por terra a minha esperança inicial.

"Tu agora tens tudo e todos, toda a gente te quer, e a tua vida corre-te super bem,mas nao vai ser sempre assim,vai haver uma altura em que vai tudo correr mal e ninguém te vai querer"- Tiago Miguel do Ó Melo (Abril,2009)

E de facto aconteceu e mesmo aquando da minha entrada na faculdade,adeus doces sorrisos e vida estonteante,solidão,dúvidas e baixa auto-estima inundaram este período,foi a concretização da profecia dita pelo Tiago,mas ele já não está presente para o testemunhar,ao menos que seja poupado dessa vergonha

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

quarta-feira, 10 de junho de 2009

domingo, 7 de junho de 2009

Unforgettable,you and me

Quica e Miguel,Kikes e Mikes,Manga e Banana,assim se passaram três anos desde a primeira vez que entrámos no Dona Maria,crianças inocentes e felizes,cheias de sonhos e esperanças.
Estes três anos foram os melhores de sempre,encontrei em ti aquilo que sempre quis,e passámos momentos únicos,desde o mítico caminho até tua casa,o muro das nossas conversas sobre tudo,os olhares cumplices nas aulas,conversas em código,fights estúpidas das quais nos riamos de seguida,virgin diaries entre outros programas e séries das quais somos aficionados,aulas,testes,estudos á pressão,professores míticos(All night long,Zizi,Pupo),músicas nossas(About you now,Give me the food,Britney),tardes de compras e fotos,a minha dívida mortal,fizémos planos de um futuro juntos em Nova Iorque,rimo-nos sempre,a nossa turma que achava que tinhamos um caso,frases marcantes("LESBOOO","Posso-te só explicar que fiz aquilo de boa vontade"), Nhecs dolorosos,pinhas mortais,conversas sobre a minha vida amorosa dificil,mas também chorámos juntos e desesperámos juntos.
Nunca conseguirei falar na totalidade sobre estes três anos que passaram pois aquilo que me proporcionaste foi tanto,mas quero que saibas que me orgulho imenso de nós,do quanto evoluimos e mudámos,de mais perto ou mais longe termos sempre estado juntos,de gostar de ti genuinamente,vou ter imensas saudades de tudo isto,e acima de tudo de ti,de quem és,do quão importante foste para mim e do quão feliz me fizeste,mas tenho-te gravada na minha memória bem como todos os momentos que referi. Poderei viver cem anos mas estou certo que não encontrarei ninguém como tu,que me complete tanto como tu,e agora custa-me horrores a despedida,pois tudo o que vivi contigo foi perfeito,inesquecível,memorável e mítico,e sei que nunca me esquecerei de alguém tão importante,tão autentica e tão perfeita como tu.
Obrigado por estes três anos,para mim foram os melhores de sempre,a tua presença e a nossa amizade,ficará para sempre imortalizada,nas frase que dissemos,nos caminhos que percorremos,nas vezes que nos rimos e chorámos,em tudo
E há quem diga que nada é perfeito,claramente quem afirma isto é porque não conheceu a nossa amizade


Serás para sempre importante,amo-te

segunda-feira, 11 de maio de 2009

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Sala dos elevadores

Esta história pessoal remonta aos dias da minha inocente infância
(2001)
A Solum,é um bairro de Coimbra com óptima fama,é visto como um bairro seguro,de gente endinheirada,onde vivem médicos e gente de alto estatuto,gente de valores se assim lhe quisermos chamar,gente com estudos e muitíssimo bem educada,no entanto as coisas que sucedem nesta zona da cidade passam muitas vezes despercebidas aos seus habitantes mais velhos,aqueles que ali residem mesmo,sim ,pois durante o dia esta zona está cheia de estudantes de todas as idades,mas à noite a Solum é de quem lá mora.
-Mãe,por que é que o elevador está sempre parado no terceiro andar se não mora lá ninguém?
-Deve ser a senhora que limpa o prédio que deve ir limpar a sala onde pára o elevador no terceiro andar,os donos morreram mas a sala tem de continuar a ser limpa,entendes?-Explicou-me a mãe com o sorriso mais tipico dela que ao fim de 18 anos a recebê-lo consegui descodificar o seu significado "acabei de inventar isto á pressão e até fez sentido,sou mesmo inteligente",e então continuou a sorrir para o ar.
No dia seguinte
-O elevador está de novo no terceiro andar,mãe,podíamos ir até lá acima-sugeri
-Miguel,já te expliquei que o elevador fica lá por causa da senhora das limpezas,já para não falar que é de muito mau-tom ir ao terceiro andar-agora sussurrava e olhava para todos os lados a ver se vinha lá alguém que pudesse ouvir aquilo que ela estava prestes a dizer-morreram lá os donos,sabes que essas coisas assustam-me-concluiu a mãe
E não era só á mãe que aquilo assustava pois com a tenra idade de dez anos ouvir falar em mortos era de facto arrepiante para mim,mas desde pequeno sempre tive imensa curiosidade,e mais tarde ou mais cedo iria até ao terceiro andar para saber o que se encontrava naquela sala,mas saber que os antigos donos tinham morrido naquele andar,era um impedimento ainda por cima lá em cima era sempre muito escuro e qualquer criança normal tem mêdo do escuro.
Passado algum tempo
-Olá menino Miguel.
-Olá dona Graça,olhe eu queria fazer-lhe uma pergunta,posso?
-Sim menino diga.
-É a senhora que deixa o elvador no terceiro andar quando lá vai limpar a sala dos elevadoes?
-Cruzes,credo!Eu nunca me atrevo a passar pelo terceiro andar menino,morreram lá os antigos donos,tenho pavor a essas coisas,o menino não sabe o sacrífico que para mim é lavar as escadas do terceiro andar,sabendo que lá morreram os donos,então nunca consegui entrar naquela maldita sala onde pára o elevador,mesmo quando passo para o quarto andar de elevador.
No entanto a Dona Graça esqueceu-se que tinha acabado de me dizer que não fazia metade do seu trabalho.
-Mas não conte nada á sua mãe menino,fica segredo entre nós-e piscou-me o olho e deu-me um rebuçado daqueles péssimos que trazia sempre consigo.
-Mas então porque razão é que o elevador está sempre lá parado?Não mora lá ninguém-expliquei eu
-Pois,de facto é estranho,mas é preciso ter coragem para subir até áquela maldita sala,dá-me arrepios-fez uma carêta e foi-se embora.
7-5-2006
"Ok,já tenho 15 anos,já consigo ir á sala dos elevadores do terceiro andar"
Enquanto subia,não pude deixar de pensar que o que estava prestes a fazer era errado,porque aquele espeço era privado e o pensamento dos donos que lá morerram era sempre um extra indispensavel para nunca lá entrar.A luz amarela do elevador azul apagou-se,estava no terceiro andar,era só abrir a porta.
E para minha surpresa a sala dos elevadores do terceiro andar era igual á minha do primeiro andar com uma única diferença.
Tinha lá cartas antigas,garrafas vazias,uma fotografia antiga rasgada,beatas de cigarros,e aquilo que na altura me pareceu ser um inocente cigarro de enrolar,mas o mais importante era um papel que dizia "F+W" com um coração pintado ao lado,e na fotografia rasgada estava lá um W também,tal como nas cartas antigas,já amarelas do tempo,aquela sala havia parado no tempo,e tinha servido de esconderijo para um casal em 1981, que era a data das cartas,alguém no prédio havia tido um romance secreto,escondidos de todos na sala onde ninguém entraria por causa do mito dos donos mortos,sim ali eles poderiam fazer tudo,ninguém os veria,ninguém lá entraria,e o melhor mesmo era F e W serem as iniciais so meu pai e da minha mãe,que por volta da data descrita nas cartas andavam num romance que era altamente desprovado pela minha querida avó.
Então saí da sala com uma óptima ideia,e sempre que precisasse usá-la-ia,para nunca quisesse ser visto,pois filho de peixe sabe nadar.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Primas

"Maldito vinho verde que sempre me pôs num estado de loucura e desinibição total,sim,a noite passada foi muitíssimo agressiva". Este era o pensamento que invadia a cabeça da Mél enquanto tentava procurar o seu sutiã,ali estava ele ao fundo da cama,enrodilhado nos pés do rapaz com quem ela tinha passado a noite,afinal não era o sutiã,mas sim as suas cuecas da Hello-Kitty. Vestiu-as o mais rápido possivel,na cadeira estava o resto das suas roupas,e o tão procurado sutiã,levantou-se dum trago, "Nunca mais bebo",pensou, quando ao levantar-se a dor de cabeça lhe bateu forte,vestiu-se e saíu daquela casa o mais silenciosamente possível.

10 chamadas não atendidas
7 novas mensagens

"Mas onde raio é que eu estou?Que horas são?Eu nem sequer conheço esta zona da cidade!O que é que aconteceu á capa do meu telemóvel?Donde veio tanto dinheiro?" Estas perguntas surgiram espontaneamente mal ela entrou no elevador,e a pouco e pouco foi obtendo resposta para elas.

-"Oh meu deus,estou nos arredores da cidade,sozinha,ás seis e meia da manhã,tudo escuro e sem táxis"-Disse a Mél para si própria,e de facto era verdade,uma placa dizia que faltavam 3 km para a cidade,a capa do telemóvel devia ter perdido na noite,mas o mais estranho era ter-lhe sobrado tanto dinheiro,e não conseguia parar de se perguntar de onde é que ele havia vindo.

Avistou um táxi no meio da terrinha,mas não conseguia correr,ainda estava muito alcoolizada,e tinha imenso frio, era de madrugada ,e no inverno a coisa piora um pouco,vestida de top e de saia, cada brisa que passava parecia que a dilacerava. Quando estava prestes a chegar ao táxi,ainda a pensar donde viria tanto dinheiro,lembrou-se que isso não era o mais importante,o mais importante era saber quem era o homem com quem ela tinha passado a noite,e esse foi o pensamento que a perturbou ao longo dos 3 km de táxi.

"Tenha uma boa noite menina,e agasalhe-se,este tempo não está para brincadeiras"-Disse amavelmente o taxista,mas a Mél pareceram-lhe simples sons sem sentido,como se ele tivesse aberto a boca e só saíssem ruídos indescodificáveis,sim,porque tudo a seu redor lhe parecia uma grande mancha de luzes e barulhos,e na sua cabeça o cenário era bem mais assustador,e a pergunta impunha-se de novo "quem é o rapaz com quem dormi hoje á noite?".

As mãos não conseguiam abrir a porta de casa,os olhos estavam a fechar-se, não conseguia subir mais escadas,o vinho estava prestes a sair por onde entrou,era agora.

-PUM!
-AUTCH!

-"A tua sorte foi os teus pais terem ido para fora de fim-de-semana,atrasada,e não te verem neste belo estado,a dormir á porta de casa completamente bêbeda,ás dez da manhã de sábado."
-"Era preciso dares-me um estalo,Sara?"
-"Não,mas apeteceu-me, odeio bêbedos, Mélanie!"- Frisou muito bem a palavra "odeio"
-"És mesmo querida prima,agora ajuda-me tive a pior noite da minha vida"
-"A pior?Essa mancha branca no teu sutiã diz o contrário"- Riu-se a Sara,que do alto da sua inocência pensava que a sua prima tinha passado a noite com o namorado,o Raul,mas ao ver a cara da prima depressa se apercebeu de que ela estava a falar a verdade.

A Sara e a Mélanie,primas da mesma idade,uma muitíssimo pacata a outra rebelde por natureza e sempre que a Mélanie fazia alguma coisa de errado,em criança,como queimar os cortinados,mandar os peixes para o autoclismo,pintar as paredes com o batôn da mãe,virava-se para a Sara com uma cara característica de pânico que dizia claramente "Não contes nada aos meus pais e ajuda-me" e hoje a expressão era a mesma,mas o alvo de segredo não eram os pais,mas sim uma maior gama de pessoas.
E a Sara depressa de apercebeu que o que quer que fosse que a prima tinha feito,era muito mais grave do que pintar paredes,matar peixes e estragar mobilias,desta vez a Mélanie tinha feito algo muito mais preocupante,e já não era nenhuma criança,o que significa que estando mais velha ela pode causar mais danos e estragos,agora sim ela sentia que a Mélanie precisava mesmo de ajuda.

(continua...)